Opinião

> Rosário do Sul,RS, SÁBADO, 04 DE FEVEREIRO DE 2012-

COARROZ INFORMA
Escrito por
Romeu Andreazza- Presidente
(Publicado em 31/1/2012) Estive afastado das lides jornalísticas e também não
pude comparecer à brilhante MANIFESTAÇÃO POPULAR da quinta-feira passada, em
frente da PREFEITURA MUNICIPAL, por motivos de saúde. Agora compareço para me
solidarizar e me incorporar nesse meritório movimento.
Hoje o Prefeito decretou "Situação de Calamidade Pública" em nosso Município, já
com certo atraso. A decretação de verdadeira Calamidade deveria ter sido
decretada no dia em que os vereadores aprovaram a lei dos aumentos estapafúrdios
para eles próprios e para os Prefeito e Vice. Para os Secretários até eu se
justificaria melhorar a remuneração, desde que reduzissem as Secretarias a
quatro ou cinco.
“A decretação de verdadeira calamidade deveria ter sido decretada no dia em que
os vereadores aprovaram a lei dos aumentos estapafúrdios para eles próprios e
para o prefeito e vice”
A palavra estapafúrdio usei para chocar a atenção do leitor, pois é um absurdo
que Rosário, uma pequena cidade com menos de 40.000 habitantes, remunere com
salários mais altos do que a minha cidade natal, Caxias do Sul que tem mais de
500.000 habitantes.
Quero, em meu nome e de todos os associados da Coarroz, parabenizar aos
Professores e os estudantes e o Presidente da OAB, Aristides de Pietro e todos
quantos arregaçaram as mangas e, democraticamente, fizeram valer os direitos da
Comunidade. Nós os eleitores fomos traídos pelos nossos representantes.
Já soube que o movimento popular vai continuar. É necessário, chegar ao ponto de
não elegermos nenhum dos atuais vereadores. Eles pediram. Nós responderemos. Os
produtores ligados à Coarroz são unânimes em atender ao chamado da Diretoria,
pois trata-se de moralizar a política local.
Obrigado e até a próxima. Romeu Andreazza, presidente da Cooperativa
Agroindustrial Rosariense- Coarroz.
A
Primavera Rosariense não pode ficar só nas flores - que venham os seus frutos!!!
Eliézer
Oliveira*
(31/1/12) A
Primavera Rosariense que aflorou com a Manifestação contra o aumento dos
salários dos políticos foi fruto do debate, circulação de informações,
indignação popular, organização espontânea, realização do ato público, etc. O
momento atual é de comemoração e reflexão sobre as repercussões do ato.
Rosário respira ares do novo momento histórico-político. As perfumadas flores do
despertar da consciência e da mobilização coletiva começam a ser fecundadas com
várias sugestões nascidas na comunidade de comunicação presente nas redes
sociais.
“O povo que descobriu a sua força não se contentará com pouco, quer mais. Novos
cidadãos engendram uma nova cidadania. Ninguém segura este povo!”
Há a certeza de que a caminhada esteja apenas começando e não se possa parar.
Perseverar é preciso! Temos que decidir o que faremos com aquilo que fizemos, a
fim de que a chama acesa continue a ser fomentada. Muitas ideias já têm surgido,
outras ainda surgirão, é preciso elencá-las, debatê-las, hierarquizá-las e
pôr-se a efetivá-las.
Preliminarmente, ainda em discussão, fervilham as seguintes demandas: 1.
Audiências públicas antes da votação dos reajustes dos salários dos políticos;
2. Colocar na Lei Orgânica do Município a obrigação da realização destas
audiências para as próximas legislaturas; 3. Investigar a questão das diárias do
legislativo e do executivo e procurar formas de controle social sobre as mesmas;
4. Tentar reverter o aumento no número de vereadores; 5. Melhorar a comunicação
entre os poderes políticos e a população; 6. Tomar conhecimento e participar da
Conferência da Transparência; 7. Criar espaços de convivência, estudos, debates
sobre a realidade sócio-política do Município; 8. Enfrentar as diversas demandas
sociais do Município: saúde, educação, saneamento, ruas e estradas, praças,
salário do funcionalismo, revitalização da praia...; 9. Concurso de redação, nas
escolas do Município, sobre os problemas sociais de Rosário do Sul;10 Criar
espaços de comunicação entre a comunidade que usa a internet e a comunidade que
ainda não dispõe desta forma de comunicação.
O povo que descobriu a sua força não se contentará com pouco, quer mais. Novos
cidadãos engendram uma nova cidadania. Ninguém segura este povo!
* Eliézer dos Santos Oliveira- Rosariense professor de Filosofia na UCPEL
(Escrito em 29/01/ 2012,publicado 31/1/12)
FÓRUM SOCIAL: Um outro mundo é possível
Vladimir Cunha dos Santos ***
(Publicado em 31/1/12) A região da grande Porto Alegre viveu na semana passada
mais um momento histórico da cidadania mundial: a realização do Fórum Social
Temático, com palestras, debates, apresentações artísticas, lançamento de
livros, mostra de cinema, exposições e outras manifestações culturais e
políticas.
O FST foi realizado entre os dias 24 e 29 de janeiro nas cidades de Porto
Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, tendo como tema central a crise do
capitalismo, justiça social e ambiental. Milhares de pessoas de várias partes do
planeta estiveram reunidas na região metropolitana do Rio Grande do Sul,
participando deste evento que foi uma etapa preparatória para a Conferência Rio
+ 20, da ONU, que acontecerá em junho deste ano no Rio de Janeiro.
Os principais locais das palestras e debates foram Usina do Gasômetro, Casa de
Cultura Mário Quintana, Assembleia Legislativa, UFRGS, Cais do Porto, Sindicato
dos Bancários, tendas temáticas instaladas no Acampamento da Juventude, no
parque Estância da Harmonia e vários outros locais. Ativistas políticos e
culturais, artistas, sindicalistas, intelectuais, estudantes e cidadãos de
vários estados do Brasil, de países da Europa, África, Américas, Ásia e Oceania,
reuniram-se neste Fórum Social Mundial que na sua 11ª edição aponta os erros e
injustiças do sistema capitalista, propondo mudanças conscientes, sustentáveis e
possíveis para que a humanidade tenha melhor condição de vida para todos
humanos, sem exploração e desequilíbrios ambientais.
Entre tantas personalidades presentes neste evento a presidenta do Brasil, Dilma
Rousseff, e o cantor e compositor Gilberto Gil foram destaques, além de
teóricos, pedagogos e líderes comunitários. No início do Fórum aconteceu a
Marcha, uma espécie de desfile cívico realizado pelo centro de Porto Alegre, com
saída do Mercado Público, indo até as margens do lago Guaíba, culminando com
discursos e shows. Mais de 40 mil pessoas participaram deste momento de
manifestação contra o neo-liberalismo e as injustiças sociais do capitalismo
internacional que agora mostra seus erros com as recentes crises do sistema
financeiro e aumento do desemprego no ocidente.
Centenas de documentos foram aprovados e encaminhados para autoridades e
instituições competentes e uma Carta Geral foi redigida para apresentação na
Conferência da ONU Rio + 20.
A vontade da juventude, dos intelectuais e ativistas de transformar o planeta em
um mundo melhor e mais justo, foi o ápice deste encontro de seres humanos
conscientes que estiveram reunidos na capital do pampa gaúcho. Todos clamando
por uma sociedade mais humanizada, com maior distribuição de renda e justiça
social possível; Sem os preconceitos dominantes e com liberdade plena e
responsabilidade permanente.
A reportagem
da Folha Rosariense esteve presente neste momento histórico para a humanidade
que foi recebida com a hospitalidade tradicional do povo sul-riograndense. *
Vladimir Cunha dos Santos, jornalista e fundador da FR.
Carta aberta à população rosariense sobre
acontecimento da 30ª Gauderiada
* Escrita por Greici Rossignollo Severo
É lamentável um episódio como o que aconteceu na 30ª Gauderiada da Canção Gaúcha
de Rosário do Sul. Minha filha, Tainá Severo Valenzuela, historiadora formada
pela Universidade Federal de Maria (turma de 2010) e mestranda em Patrimônio
Cultural também na UFSM, que atua no meio nativista e tradicionalista desde seus
12 anos, realizara um trabalho, em forma de vídeo, com o resgate histórico dos
30 anos de festival, buscando enriquecer o evento através de sua própria
história. Um trabalho feito com muito carinho e com muito amor, e o que
aconteceu? Foi podado por alguns integrantes da organização do evento, que
demonstraram falta de bom senso e pobreza de espírito, proibindo que o vídeo
fosse executado por não gostarem de pessoas entrevistadas ou de coisas que foram
ditas por elas.
Problemas pessoais que, infelizmente, interferiram neste belo trabalho.
Caprichos de pessoas incapazes de fazerem as coisas vendo o lado da importância
deste evento para nossa cidade e vendo o lado de que coisas assim se fazem com
amor à nossa cultura, à nossa tradição, ao nosso povo que vibra e que canta com
emoção em todas as Gauderiadas de Rosário do Sul. Este povo que está lá e ama o
nativismo, e tenho certeza que amariam mais ainda o que foi feito neste belo
trabalho que não foi ao ar. Não foi “cobrado” nada, foi desenvolvido um trabalho
de uma pessoa que ama o que faz, que é apaixonada pela cultura gaúcha, e que
desde pequena traz no coração este amor e esta paixão pelo Rio Grande. Rosário
do Sul é seu berço e por onde vai, leva o nome de sua querência amada.
Foram entrevistadas pessoas que tiveram grande importância no Festival e que
fizeram parte desta história, foram resgatadas fotos e fatos, isto tudo para
engrandecer mais ainda a 30ª Gauderiada. Muitas desculpas foram dadas para
encobrir o real motivo da não execução do vídeo, como o tempo (sendo o intervalo
da G. Adulta e do show de sexta-feira fora de 39 minutos e na maioria deste
tempo não havia nada sendo reproduzido nos telões).
Apesar de saber que os motivos que impediram a reprodução do vídeo não sejam
pessoais com minha filha, foi o trabalho dela que fora desrespeitado por
vaidades e caprichos.
Ótima estrutura, ótimos shows (com exceção do primeiro show que não se encaixa
para o festival), mas é uma pena que algumas das pessoas que organizam isso tudo
não saibam valorizar a GENTE DA NOSSA TERRA.
Muito obrigada pela atenção,
Assina : Greici Rossignollo Severo.
* Rosário do Sul, 16 de janeiro de 2012.