Frei Giribone é rosariense e reside e atua na Obra Missionária em Rio Grande / Foto DivulgaçãoFrei Giribone Obra Missionária Virgem do Carmo Peregrina

Rio Grande, RS, 24 de agosto de 2012                                          VOLTAR PÁGINA IGREJA CATÓLICA

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MENSAGEM Nº 686 ANO XIII – XXI DOMINGO COMUM (B)

“SEGUIMOS A CRISTO TENDO A CERTEZA DE QUE VIVEREMOS COM ELE NA ETERNIDADE”.

 Pax  Domini  sit  semper  vobiscum.

 No seguimento de Jesus Cristo encontramos alegrias e tristezas. Momentos de solidão espiritual e de grande júbilo. Entre os altos e baixos temos a certeza que este caminho nos leva à eternidade. Pedro novamente professa esta realidade para Jesus quando acontece a crise da aceitação de Jesus como Pão da Vida. Dentro do mês vocacional celebramos a vocação dos leigos. Os leigos são pessoas comprometidas nos diversos trabalhos dentro das comunidades. Eles têm uma importância fundamental para a evangelização. Quando assumimos o nosso batismo, nos comprometemos com o todo do Cristo. Somos alimentados por Ele para levarmos sua mensagem a todos os ambientes onde nos encontrarmos.

OREMUS: Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num só desejo, daí ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

EVANGELHO (Jo 06, 60-69):

Naquele tempo, muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do homem subindo para onde estava antes? O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não crêem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. E acrescentou: É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vós quereis ir embora?” Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.

 “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

 O texto do Evangelho de São João neste capítulo seis é um dos mais radicais da Sagrada Escritura. A aceitação de Jesus como “Pão da Vida” se faz necessária para a nossa salvação. Neste momento surge a grande crise em que os discípulos que seguiam a Jesus, uma parte deles, irão abandoná-lo por acharem suas palavras muito duras. Por que duras? Porque muitos queriam um Cristo que resolvesse seus problemas momentâneos. Um messias político que resolvesse o problema social que o povo estava enfrentando. Hoje estão sendo criadas muitas religiões que procuram satisfazer a pessoa e não levá-la a verdadeira conversão. O verdadeiro seguimento de Jesus Cristo se faz muitas vezes na dor da partilha e da solidariedade. Devemos ter como objetivo a vida eterna para passarmos pelos sofrimentos momentâneos que são inerentes ao seguimento de Jesus.

O crer em Jesus é aceitar todo o seu processo de salvação. Não podemos dividi-lo em partes conforme nossa vontade. Quando Jesus fala que é o espírito que dá a vida, ele nos afirma que já temos presente em nossa existência o essencial para a nossa salvação. A palavra de Jesus é que nos leva a verdadeira vida. Percebemos muita oposição a esta verdade presente no imediatismo que o mundo vive. Somos arrastados a ir de encontro ao mais cômodo deixando de lado, muitas vezes os sacrifícios da vida, que vão nos forjando para o essencial.

A resposta de Pedro é cheia de fé e esperança no Senhor. Mesmo que o mundo nos ofereça muitas vantagens, elas são ilusórias em relação aos valores eternos. Podemos associar esta resposta de Pedro ao momento em que ele professa a sua fé em Jesus como sendo o Cristo, o Filho de Deus (Mt 16, 16). O plano de Deus em relação à salvação da humanidade é claro e objetivo. Ele não muda sua palavra e suas atitudes como muitas vezes nós gostaríamos que fosse.

Muitos cristãos consagrados pelo batismo se afastam de Jesus para tentar encontrar outras respostas no relativismo que a sociedade oferece. Até mesmo o próprio nome de Jesus é usado para afastá-lo dele. Ele é o pão vivo que desceu do céu para nos salvar. Para nos alimentarmos dele precisamos nos despojar de nós mesmos para sermos real mente livres na verdade.

Temos que ter a mesma coragem que Pedro teve de responder a nós mesmos que o seguimento de Jesus Cristo é o essencial em nossa vida para não nos perdermos nas coisas transitórias.

A presença de Jesus na Eucaristia é o maior tesouro que temos em nossa vida. Ele está no meio de nós. Devemos confiar nesta realidade e apresentar tudo o que somos nossas limitações e dificuldades para nos tornarmos novas criaturas em seu amor.

 “Senhor Jesus ajuda-nos a olhar sempre para o que não passa para passarmos sobre o que passa”.

Rio Grande RS, 23 de agosto de 2012.

 

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MENSAGEM Nº 678 ANO XIII – SÃO PEDRO E SÃO PAULO

“SÃO PEDRO E SÃO PAULO SÃO EXEMPLOS DE FIRMEZA NA FÉ”.

Pax  Domini  sit  semper  vobiscum!

O exemplo de Pedro e Paulo, grandes expoentes do cristianismo, nos motivam a continuarmos firmes na fé. Até hoje a amizade destes dois homens com Jesus, embora em níveis diferentes, tem uma repercussão de grande vulto na história da huma nidade. Percebemos em suas vidas duas formas distintas de seguimento de Jesus Cristo: Pedro foi discípulo direto de Jesus. Teve uma experiência de amizade e convivência com o Senhor. Paulo de “perseguidor” se torna anunciador da doutrina de Cristo através de sua experiência no caminho de Damasco. O Espírito Santo transformou sua vida. De grande conhecedor da lei judaica e de sua ortodoxia passa a ser um anunciador assíduo da verdade da presença de Jesus Ressuscitado. Os dois foram martirizados por se entregarem totalmente no seguimento do Senhor. Deus não escolhe os melhores, mas melhora os escolhidos. Vai modelando a vida daqueles que querem segui-lo com coragem e alegria.

ORAÇÃO: Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

 EVANGELHO: (Mt 16, 13-19)

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou alguns dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei a chave do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

 “Feliz é tu, Simão filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”.

 Esta afirmação do Senhor Jesus a Pedro nos dá uma grande alegria e segurança e ao mesmo tempo um grande comprometimento com a realidade do seguimento de Cristo. Pedro recebe uma missão impossível pela sua capacidade e fragilidade, mas possível pelo poder do Espírito Santo que faz nova todas as coisas. Sua afirmação: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” confirma sua unção e sua futura missão de chefe da Igreja. Ela não tem origem humana, mas sim divina. A partir deste momento Pedro é escolhido para dar continuidade ao anúncio do Evangelho de Cristo em sua missão. O cristianismo se caracteriza pela tomada de consciência da importância da vida comunitária com a presença do Senhor Ressuscitado que a fomenta no amor. É um mistério pessoal de encontro com Cristo que se estende a toda comunidade dos que professam a fé no Ressuscitado.

A Igreja é uma sociedade dos que acreditam no mistério da presença de Deus Trindade dentro da história. O processo de aceitação do mistério cristão acontece dentro de uma relação comunitária. Aí encontramos o fato de que a Igreja de Cristo sempre será “perseguida” especialmente pela grande mídia que tem como característica o individualismo anti-comunitário querendo levar as pessoas ao relativismo para que se tornem consumidoras de produtos que levam à alegria superficial. Os valores cristão s não são aceitos pela sociedade de consumo porque levam a partilha e a solidariedade. A Igreja sempre será uma pedra no sapato daqueles que se deixam guiar pelas suas paixões.

Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Já ouvimos muitas vezes este ditado e podemos perceber que é real tratando da vocação de Pedro. Era um pescador com pouca cultura, um homem simples. Sendo que possuía uma característica essencial para os que querem seguir a Cristo: era sensível ao plano de Deus, cultivava em profundidade a sua crença e sua amizade. Percebeu aos poucos e especialmente após a experiência de Pentecostes que somos realmente amados por Deus. A nossa vida não é uma mera coincidência. Há muitos intelectuais na Igreja e poucos que cultivam uma amizade profunda com Cristo que leva automaticamente até uma profunda conversão.

O mistério vocacional de Pedro se perde na história. Não sabemos o que motivou este homem a deixar tudo e seguir ao Senhor. Provavelmente, ele teve muitos momentos de dúvidas e sofrimentos sendo que jamais errou em suas decisões em relação à Igreja depois que recebeu o Espírito Santo a partir de Pentecostes. Ele soube deixar tudo para assumir o Tudo. Deixou o perecível para abraçar o imperecível.

Junto a Pedro celebramos a festa de Paulo. Um homem completamente diferente do primeiro, mas que soube acolher a vontade de Deus com a mesma sensibilidade. De perseguidor se torna anunciador de Cristo. Ele irá anunciar destemidamente a Boa Nova do Reino. É ele que dará corpo a toda à doutrina sobre o entendimento da pessoa de Jesus e sua missão. As pessoas que se fecham em suas ideologias materialistas jamais irão ler o que Paulo escreveu, pois ele nos apresenta a pura verdade em relação a nossa salvação. Jamais a grande mídia vai apresentar Paulo, porque sabe de sua importância e da verdade que escreve. Percebemos muitos escritos hoje que procuram desfazer a Igreja. Os individualistas jamais irão escrever algo sobre Paulo e sua conversão, pois ele atinge o cerne dos problemas da pessoa humana. Sua doutrina leva a verdadeira libertação dos apegos humanos para a valorização do essencial.

Quando buscamos humildemente a verdade somos tomados pela força de Deus nos tornando livres para anunciá-lo. A liberdade está unida a verdade juntamente com a Graça de Deus. Paulo também abandona seu “prestígio” para concretizar a vontade de Deus. Perde sua vida física pela coerência com a mensagem de Jesus. Hoje estamos carentes de pessoas que levam a sério a mensagem de Cristo em nível de experiência e não como mera teoria. O seguimento envolve toda vida da pessoa. Não é uma parte intelectual ou social, é um todo que absorve toda nossa ação.

O compromisso com a verdade pode nos levar a morte física, mas nos torna livres na eternidade. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no monte Vaticano em Roma. Paulo foi decapitado fora dos muros de Roma. Tanto Pedro como Paulo foram pessoas limitadas, mas que levaram a sério o sentido de sua vocação. A humanidade precisa dos santos. De pessoas que levem até as últimas conseqüências a sua opção fundamental. Seu ideal de concretização da vontade de Deus em suas vidas.

Estamos numa grande crise de Fé que desemboca numa crise de relacionamento. O homem caminha para sua própria ruína quando pensa só em si mesmo sem partilhar sua vida com os demais. O “individualismo competitivo” pregado pela maioria dos meios de comunicação mina as bases do relacionamento humano. O exemplo destes dois homens deve nos arrastar a prática solidária do bem dentro da comunidade.

A busca da verdade e do bem faz que percebamos o quanto somos amados por Deus. Passamos a ter certeza que esta nossa existência é uma preparação para a vida definitiva. É o Divino Espírito Santo que nos dá o contato com esta realidade.

 “Nós te pedimos Senhor a coragem e a alegria dos Apóstolos para vos seguir com alegria dentro das trevas do individualismo moderno”.

Rio Grande RS, 28 de junho de 2012.

 

 

MENSAGEM Nº 677 ANO XIII – NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA(B)

 

“O NASCIMENTO DE SÃO JOÃO BATISTA É UM MISTÉRIO QUE PREPARA A VINDA DE JESUS”.

Queridos irmãos e irmãs, a Paz e a Alegria do amor de Deus esteja sempre convosco!

A celebração do nascimento de São João Batista tem um significado de muita relevância para o cristianismo. O anúncio de seu nascimento ocorre dentro do templo para um sacerdote, enquanto que o de Jesus acontece para uma jovem dentro de sua casa. Por estes sinais misteriosos percebemos que a vida de João teve um significado de preparação para a vinda definitiva do Messias. Ele será a voz que clama no dese rto. Uma nova versão do profeta Elias para um novo momento de crise do povo de Israel. A mensagem de João será de uma busca do essencial e do abandono das coisas que passam.

 

ORAÇÃO: Concedei, Deus todo-poderoso, que a vossa família siga pelo caminho da salvação e, atenta às exortações de São João Batista, chegue ao redentor que ele anunciou. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

EVANGELHO: Lucas 1,57-66.80

 Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela.  No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”.
Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse.  Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados.  No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia.  E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. 

E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?”.

 O plano de Deus é fantástico e misterioso. Antes da vinda do Messias era necessária a vinda de alguém que “preparasse os caminhos”. Alguém com características de profeta e defensor do povo que não sabia a direção que tomar. Como sempre os nascimentos destes personagens são misteriosos e sempre relacionados com uma missão específica. Nascer já é um mistério e mais ainda com algo maravilhoso para acontecer.

Quem será este menino? Se seu nascimento foi especial, algo de especial envolve sua vida. Ele não vai aceitar as estruturas injusta s de seu tempo e o afastamento das pessoas da verdadeira religião. Por esta razão se assemelha ao grande profeta Elias que vai contra a posição do rei Acab para confirmar o povo na verdade. João irá contra o rei Herodes e seus apoiadores que não viviam uma realidade profunda se deixando levar pela luxúria.

O que acontece hoje em nosso meio? As pessoas estão perdendo o sentido da vida deslocando sua visão para o que não é essencial. Há muitas pessoas isoladas nelas mesmas. Está provado que os egoístas sofrem mais. Infelizmente esta é a filosofia do mundo moderno que tenta se “esquecer de Deus”. A importância do exemplo de João Batista nos leva a uma vida de maior entrega ao plano de Deus.

Somos envolvidos pela realidade do amor de Deus. Quando reconhecemos isto somos mais felizes e mais comprometidos com um mundo melhor.

 

“João Batista vem ensinar o caminho de uma maior entrega ao Senhor”.

 

 Rio Grande RS, 21 de junho de 2012. 

 

MENSAGEM Nº 676 ANO XIII – XI DOMINGO DO TEMPO COMUM (B)

 

 “RECEBENDO COM ALEGRIA A SEMENTE DO AMOR DE DEUS IREMOS EXPERIMENTAR AINDA NESTA VIDA A VERDADEIRA ALEGRIA”.

 

Pax  Domini  sit  semper  vobiscum!

 Como a semente cresce de uma forma independente do agricultor, assim é o amor profundo e estável que Deus sente por nós. É o grande mistério da vida. Deus nos ama dentro de nosso coração e nos envia ao essencial. Muitas vezes enfrentamos lutas interiores, sofrimentos em diversos níveis que podem ser aproveitados para reconhecermos o amor que Deus sente por nós. Antes de nós existirmos Deus já tinha um plano de amor. O nosso desafio é fazer coincidir sua vontade com a nossa que muitas vezes é fragilizada pelos gostos das coisas do mundo. Quando procuramos uma vida de oração vamos nos transformando naquilo que Deus em seu infinito plano de amor pensou sobre nós.

 

 

ORAÇÃO:  Ó  Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça , para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

 

EVANGELHO (Mc 04, 26-34):

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. E Jesus continuou: “C om que mais poderemos comparar o reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Jesus anunciava a palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

 

 

 

“O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece”.

 

vida é um grande mistério que só pode encontrar resposta no fato que fomos criados de uma forma diferente de todos os outros seres. Não estamos aqui neste mundo por acaso. Não somos uma mera coincidência que uniu todo nosso organismo nos transformando em seres humanos. Por de trás de nossa existência está o Criador de todas as coisas que nos fez de uma forma toda especial: podemos nos comunicar com Ele no íntimo de nosso ser, podemos ter consciência do que somos e nos voltar para nossos irmãos.

A semente que cresce é o amor fortíssimo que Deus sente por nós. O materialismo alimentado pelo relativismo e pelo imediatismo faz que esta semente fique esquecida dentro de nosso coração. A nossa tarefa é fazer que este amor germine em nossa vida apesar de nossas limitações. Se formos movidos pelas alegrias momentâneas não poderemos experimentar a felicidade profunda que a comunicação com Deus nos apresenta. O Divino Espírito Santo quando favorecido pela nossa liberdade vem em favor de nossa fraqueza e faz que tomemos consciência do amor de Deus depositado em nos sos corações.

As maiorias das pessoas estão muito longe de si mesmas. São verdadeiros “cadáveres ambulantes”. Perdem-se em ilusões, vaidades, orgulhos. A vida neste mundo passa rápido, mas ninguém quer se abrir para esta realidade preferem ser dominados pela “grande mídia” que as alimenta com superficialidade. Aqueles que são amigos do relógio, ou seja, sabem da brevidade da vida, estão prontos para se afastarem das coisas que passam para assumirem os bens eternos. Os que têm medo do relógio, ou seja, os que amam as coisas do mundo, tem medo das horas que passam, pois começam a ter consciência de que suas alegrias momentâneas estão findando.

Nós temos a certeza que este momento que vivemos é uma peregrinação para o eterno. Por esta razão a nossa única preocupação deve ser fazer que a semente do reino de Deus germine em nossa vida e na história. Que os valores deixados por Cristo sejam assumidos para que o mundo seja melhor. A humanidade já experimentou a tristeza de uma vida sem Deus. Chegou o momento de nós cristãos buscarmos o essencial e mostrarmos ao mundo a nossa alegria que tem base no profundo relacionamento com Deus. O mundo segue seus instintos e sofre com as conseqüências com uma dor permanente por se afastar do Criador.

O mundo carece de afeto e carinho. As pessoas, mesmo tendo os melhores meios possíveis, não estão se comunicando mais. Está chegando o momento em que a própria humanidade vai se autodestruir. Isto porque o valor monetário assumiu uma posição que não lhe perten ce.  Precisamos reverter esta situação a partir do amor. É no relacionamento com Deus, conosco mesmos e com o próximo que iremos mudar o mundo perdido em falsas ilusões.

 

“Senhor nosso Deus, renove a face da terra que precisa encontrar o essencial para ser feliz”.

 

 

Rio Grande RS, 13 de junho de 2012.

 

 

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“JESUS CRISTO É O REI DE NOSSAS VIDAS”.

 

DOMINGO DE RAMOS

Pax  Domini  sit  semper  vobiscum!

semana santa se inicia com a Missa dos Ramos. Nela recordamos o fato da entrada de Jesus em Jerusalém. Ele entra para a vitória sobre morte. Seu povo não entendia o significado desta entrada. O sentido da doação máxima que Jesus iria fazer em favor de seu povo e de toda humanidade. A revelação de Deus chega ao seu ápice na pessoa de Jesus Cristo. A nossa libertação só será possível no momento em que aceitarmos a sua pessoa de forma integral. Iniciemos mais esta semana santa recordando o imenso amor de Deus por todos nós e pedindo a graça de uma profunda conversão.

ORAÇÃO: Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

EVANGELHO (Mc 11, 01-10):

Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo: “Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! Se alguém disser: ‘Por que fazes isto?’, dizei: ‘o Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta’”. Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?” Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espelharam ramos que haviam apanhado nos campos. Os que iam à frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”

 

“Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”

A entrada jubilosa de Jesus em Jerusalém nos recorda que ele é recebido por aqueles que estão mais abertos ao projeto de Deus. Ele também será condenado nesta mesma cidade por aqueles que não querem se abrir a nova realidade. Por aqueles que preferem à segurança pessoal em vez da insegurança dos que concretizam a vontade de Deus em suas vidas. Os que aceitam a luz rejeitam as trevas e as trevas odeiam a luz. Por isto os seguidores de Cristo sempre serão odiados pela sociedade que é alicerçada na mentira dos bens corruptíveis.

O povo de Israel estava ansioso pela chegada do Messias, o “ungido do Senhor” que traria a verdadeira libertação que esperava. A espera do Salvador, aos poucos foi deteriorada pela influência política e social dos que se serviam da religiosidade do povo para seus benefícios particulares o que vai desencadear na crise que levará Jesus a cruz.

Podemos cair na tentação de julgarmos os judeus por não aceitarem a Jesus, mas a situação que se desenrolava não era tão simples. Os interesses que envolviam a religião muitas vezes forçavam o povo a outras atitudes que não estavam de acordo com a sua originalidade. Dai podemos entender sua dificuldade de assumirem na totalidade o que Jesus lhes apresentava. A sua mensagem envolvia uma transformação muito mais radical do que eles pensavam. Até nos dias de hoje é muito difícil entender a linguagem contraditória do Reino de Deus, do projeto de vida de Deus em relação a cada pessoa humana.

Talvez tenhamos curiosidade para saber o que significa a palavra “hosana” e porque ela é aplicada especialmente neste dia dentro da liturgia. Fizemos uma pesquisa no Dicionário Enciclopédico da Bíblia (Editora Herder de Barcelona), para entendermos com mais profundidade o sentido e o significado desta palavra. É uma palavra hebraica que significa “vem em ajuda, dá-nos a salvação”. Esta palavra se encontra no salmo 118, 25 como forma de oração para pedir a Deus sua ajuda permanente depois da vitória. Na festa das Tendas, “hosana” se converteu em uma oração corrente de súplica e também um grito de louvor. Neste dia se fazia uma procissão com palmas de vários tipos, cantando as orações com a invocação hosana como estribilho. Esta palavra só se encontra no relato da alegre entrada de Jesus em Jerusalém. Todas as fórmulas usadas significam o cumprimento da espera messiânica. Se o povo que recebeu Jesus estava utilizando esta palavra é porque já estava tendo consciência da sua missão. Algumas pessoas do povo, pelos sinais que ele realizava, percebiam uma nova era que se iniciava em sua história.

Jesus vem em nome do Senhor. Ele é o senhor, verbo encarnado que vem aos que se abrem ao novo projeto de salvação. Deus tem uma linguagem paradoxal, que às vezes parece, para nossa lógica contraditória, mas Ele nos vê como criaturas em particular, com a nossa individualidade e na comunidade com os dons que devem ser partilhados. A Jerusalém de hoje é o nosso coração que precisa estar aber to para recebê-lo com alegria.

Vamos neste início da semana santa acompanhar os passos de Jesus que culminará no grande sinal que comprova sua divindade.

  “Senhor Jesus, que possamos vos receber com alegria em nosso coração.”

 Rio Grande, 30 de março de 2009.

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MENSAGEM Nº 663 ANO XIII – III DOMINGO DA QUARESMA (B)

“JESUS VEIO REALIZAR A VONTADE DO PAI”.

Pax Domini sit semper vobiscum!

As atitudes de Jesus só poderão ser entendidas no momento em que percebemos o grande objetivo de sua vinda até nós. A ressurreição de Jesus é o fato mais importante para o cristianismo. Nela temos a certeza da nossa futura ressurreição. Jesus é radical em relação ao Templo de Jerusalém que era consagrado ao culto de Javé. Ele não admite mistura de objetivos nas coisas de Deus. Não podemos buscá-lo em seguranças econômicas. O verdadeiro culto é um exercício de abertura ao amor de Deus que muitas vezes é vivido no sofrimento e na miséria. O tempo da quaresma é um convite a uma abertura profunda a graça de Deus vivida no amor solidário.

 

ORAÇÃO: Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

EVANGELHO (Jo 02, 13-25): 

Estava próxima a páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam as pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”. Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na escritura e na palavra dele. Jesus estava em Jerusalém durante a festa da páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

“Que sinal nos mostra para a gir assim?” Ele respondeu: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei”.

A ressurreição de Jesus é o grande sinal da autenticidade de sua missão. Jesus é o Messias, o Consagrado, o Filho de Deus que irá restaurar todas as coisas não só para os judeus, mas para todos os que aceitarem a Boa Nova da Salvação.

Esta passagem do evangelho sempre nos causa certa preocupação em relação ao uso dos bens materiais, especialmente o que é relacionado ao culto. O templo de Jerusalém era o local privilegiado da manifestação de Deus. Ele representava toda unidade do povo de Israel. A atitude radical de Jesus relativiza o templo material e coloca a sua pessoa em primeiro lugar. Jesus representa cada um de nós neste momento. Deus quer habitar em nosso coração. Quer fazer parte de nossa intimidade. Muitas vezes transformamos nossa relação com Deus em algo formal e nos esquecemos que Ele é nosso amigo que caminha conosco em todos os momentos de nossa existência. O diálogo com Deus pode ser feito em qualquer lugar. A oração nos faz conhecer qual o plano de Deus em relação a nossa vida e nos dá coragem para concretizá-lo dentro da realidade que vivemos.

A afirmação do evangelho de que Jesus conhecia o homem por dentro nos faz refletir na grandiosidade de Deus em relação as suas criaturas. Somos muito importantes para o nosso Criador, somos a obra prima de seu amor. O pessimismo implantado pela sociedade em nossos corações já não consegue nos influenciar. Tornamo-nos novas criaturas, livres na força da certeza do amor do Senhor. Esta é a verdade que nos levará a liberdade e a paz. Não nascemos para sermos escravos da imposição das relações comerciais instigada pela “grande mídia”.

Deus é eternamente solidário conosco. Ele não nos cobra nada. Devemos ter esta mesma atitude em nossa vivência religiosa. O dízimo é uma responsabilidade fundamental quando é direcionado no sentido verdadeiro, mas não pode fazer parte da essência de nossa pregação. É uma oferta de nossa generosidade, de nossa boa vontade de ver as coisas de Deus progredirem para o bem do próximo.

Muitas pessoas querem utilizar o sentido religioso para enriquecer. Deixam a conversão pela ganância o que as coloca fora do plano de Deus. O dinheiro precisa ser nosso servo e não podemos servir ao dinheiro. Ele deve ser utilizado para a nossa manutenção porque infelizmente o homem não foi c apaz de criar outro tipo de valor para sua sobrevivência. Os cristãos católicos devem estudar mais a doutrina da Igreja para não caírem em nenhum embuste de prosperidade imediata pregada pelas falsas religiões. Nós temos tudo. Os sete sacramentos são os sinais visíveis da presença de Cristo em nosso meio através da ação do Espírito Santo dentro da Igreja.

A ressurreição de Jesus vai ser a confirmação de tudo o que ele afirmou sobre a sua pessoa. Um dos motivos graves que levaram Jesus a ser condenado à morte foi a relativização do templo que era um “centro comercial” muito importante para os judeus. Beneficiava a vida de muitas pessoas no sentido econômico. A casa de Deus não é um comércio, mas lugar de paz e alegria.

Ser pobre significa ser solidário tanto com os bens materiais como espirituais. Devemo s saber que o que temos não nos pertence. Somos parte de uma grande comunidade onde o bem que fizermos irá influenciar na vida de todas as pessoas.

 

“Senhor Jesus que o nosso amor se volte para todos que necessitam de nossa solidariedade”.

Rio Grande, 05 de março de 2012.

 

Obra Missionária Virgem do Carmo Peregrina

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MENSAGEM  Nº 658  ANO XIII – V DOMINGO DO TEMPO COMUM (B)

 

“JESUS CURA E TRANSFORMA TODA PESSOA”.

 

A Paz do Senhor Jesus Cristo esteja sempre convosco!

 

Estar com Jesus é estar com a salvação. Ele nos liberta de todos os males, físicos e espirituais. Onde Jesus passava havia diversas curas. A verdadeira cura é a nossa conversão ao essencial. É uma transformação geral que acontece com toda a pessoa. Mais do que nosso físico corruptível devemos ser curados no centro de nossa alma aonde o Senhor quer habitar. Quando nos enchemos do Espírito Santo nos tornamos da mesma forma instrumentos de salvação de nossos irmãos. Seremos felizes quando soubermos a razão de nossa existência e vivermos de acordo com ela.

 

ORAÇÃO: Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

EVANGELHO (Mc 01, 29-39):

 

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. A Sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

 

“Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios”.

 

A passagem de Jesus fazia que as pessoas ficassem curadas. Não só de um mal físico, mas especialmente de um mal espiritual. O reinado de Deus leva as pessoas a uma paz interior capaz de curá-las de todos os males. A verdadeira cura acontece em todas as dimensões da pessoa especialmente quando ela descobre o sentido de sua vida. Percebemos muitas pessoas afastadas delas mesmas vivendo uma vida de angústia e sofrimento. Quando o homem se afasta da presença de Deus ele se afasta de sua própria felicidade. Somos desafiados a crescermos em todas as dimensões de nossa vida. Jesus nos apresenta uma libertação em todos os níveis numa profunda experiência do amor de Deus que nunca se afasta de nós por sermos suas criaturas e pela consagração batismal que qualifica esta realidade.

Somos criados conforme a imagem de Deus. O nosso criador está muito acima de nós. Tudo faz parte de um grande mistério. Por esta razão é muito difícil de nós nos conhecermos e nos entendermos numa dimensão mais profunda. As curas que Jesus realizava faziam que as pessoas vivessem uma nova dimensão. Não há cura sem conversão. Se vivermos uma total entrega numa amizade profunda com Jesus teremos também nós a experiência de sermos curados, pois todos somos enfermos pela presença do pecado no mundo.

É interessante de se observar como Jesus segura na mão da sogra de Pedro e ela se levanta e se põe a servir. O toque de Jesus é curativo porque Deus é o autor da vida. O poder divino de Jesus transforma todas as coisas em novas. Quando Ele nos toca nos transforma, nos capacita para vivermos uma vida nova cheia de alegria e paz. O fato de esta mulher sair e se por a serviço nos indica que a experiência de amor com Cristo nos leva a uma ação que não é mais vazia. A verdadeira evangelização é fruto de amor. Não é fruto de uma teoria vazia. Não adianta pensar e falar sem amar, pois é o amor que vai fazer a diferença em nossa vida.

Hoje temos muitas religiões do imediatismo que se utilizam de Cristo para seus próprios benefícios. É cultuado o “deus dos consolos” e não os “consolos de Deus” que passam pela cruz e pelo sacrifício oferecido. Quando esquecemos o valor da doação e do oferecimento começamos a pensar em nós mesmos. Estas religiões servem mais para um crescimento econômico dos pregadores do que para solucionar na raiz o problema existencial das pessoas. Oferecem soluções imediatas para problemas que tem grande profundidade. Normalmente os que abandonam a Igreja são pessoas fracas na fé que tem um nível cultural e espiritual insuficiente e com uma afetividade desajustada. Temos três grandes tesouros que jamais podemos abandonar pela pregação de qualquer pessoa que são a Palavra de Deus, a Eucaristia e a Devoção a Maria como intercessora e modelo de obediência a Deus. Tudo que fere estes grandes tesouros não vem de Deus.

Sem a fé com base no evangelho não poderemos entender o sentido do sofrimento que faz parte de nossa existência limitada em preparação para a eternidade onde estas características não terão ma is influência sobre nós. Quando aprendemos o sentido da negação de nós mesmos, o despojamento de nosso egoísmo vamos aceitando a realidade de nossa vida e vencendo o imediatismo, o relativismo e o individualismo.

O que adiantaria sermos curados fisicamente se nossos sentimentos e nossa entrega a Deus não são curados? O que adianta termos tanta prosperidade se não nos amamos e somos solidários? Nesta crise de relacionamento que estamos vivendo precisamos recorrer ao que realmente pode nos ajudar. Precisamos buscar em Cristo, o verdadeiro amigo, uma vida de conversão e mudança em busca do essencial.

 

“Curai Senhor Jesus o nosso coração de todo fechamento ao vosso infinito amor”.

Rio Grande, 31 de janeiro de 2012.

 

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